
A se manter a média de ocorrências, neste 8 de março, quando se
celebra o Dia Internacional da Mulher, duas potiguares sofrerão o crime
de lesão corporal por parte de seus companheiros, talvez algum familiar
ou ente próximo. O dado é baseado nas estatísticas, referentes aos dois
primeiros meses de 2014, das Delegacias Especializadas de Atendimento à
Mulher (DEAM) que funcionam no Rio Grande do Norte.
O número
representa apenas os dados registrados pela Polícia Civil, em conjunto
com a Coordenadoria da Defesa dos Direitos da Mulher e das Minorias
(Codimm) e, de acordo com as autoridades ouvidas pelo NOVO JORNAL, ainda
está bem aquém da realidade dos crimes cometidos contra as mulheres, já
que muitas delas ainda temem denunciar seus agressores.
Atualmente,
as DEAM’s atendem a todos os casos de crimes que tenham o público
feminino como vítima, desde uma simples briga entre vizinho até os mais
complexos homicídios, mesmo os que não tenham características de crimes
de gênero, ou seja, que tenham como motivação o fato da vítima ser uma
mulher.
No cômputo geral dos crimes contra as mulheres, as cinco
delegacias especializadas do estado – Mossoró, Caicó, Parnamirim e Natal
(zonas Norte e Sul) – já registraram este ano 546 boletins de
ocorrência, de acordo com os dados das próprias delegacias e da CODIMM.
A
grande concentração dos números ainda fica na capital. Natal representa
um pouco menos de 70% dos BO’s registrados, com 370 ocorrências. Os
registros mais comuns feitos nas delegacias são de crimes de lesão
corporal e de ameaça.
Os dados colhidos nos dois primeiros meses
ficam um pouco abaixo do padrão identificado pela CODIMM nos anos
anteriores. As estatísticas de 2013 das DEAM’s, prejudicadas pela longa
greve dos agentes da Polícia Civil, apontam para o registro de 913 casos
de lesão corporal entre janeiro e junho. Uma média simples aponta para
cinco casos de agressão por dia. No mesmo período foram 1720 casos de
ameaça em todo o Rio Grande do Norte.
Em 2012, os números são
ainda um pouco maiores. A média aponta para seis agressões por dia –
2185 casos registrados, em um total de 8136 BO’s assinalados nas cinco
delegacias especializadas de atendimento à mulher.
CRIMES PASSIONAIS
Um
tiro no olho e mais três dias no hospital acabaram com a vida da jovem
Débora Fernandes de Macedo, de apenas 16 anos. Moradora de Santo Antônio
do Salto da Onça, a 76 km de Natal, a garota foi morta pelo
companheiro, com quem vivia há dois anos. A motivação: ciúmes.
Débora
é o caso mais recente de homicídio com características passionais
registradas pela CODIMM e o segundo listado desde o início do ano. Ela
foi atingida pelo disparo no dia 2 de março, domingo de carnaval, e
faleceu na manhã da quarta-feira de Cinzas (5), no Hospital Monsenhor
Walfredo Gurgel.
De acordo com os relatos da mãe da vítima,
Marineide Cardoso, ao Portal BO, Débora sofria constantemente com a
violência do companheiro, mas nunca denunciou ou quis separar-se dele. O
suspeito ainda não foi preso.
Segundo a coordenadora estadual da
Defesa dos Direitos da Mulher, a agente aposentada da Polícia Federal
Francisca Erlândia Mendes, os casos de homicídios que tem mulher como
vítima quase sempre tem um padrão. “A mulher sofre com a violência
dentro de casa e não denuncia, não procura seus direitos. Assim o quadro
vai evoluindo para o extremo, que é o homicídio”, relata a
coordenadora.
O segundo caso listado nos registros da CODIMM
apontam a morte de Izânia Maria Bezerra, no dia 16 de fevereiro, como o
primeiro homicídio suspeito de ser um crime passional. Ela foi morta a
tiros na zona rural de Macaíba quando estava com seu ex-marido, o
tenente da Polícia Militar Iranildo Félix, que também foi atingido, mas
estava de colete à prova de balas.
Ele é investigado como
suspeito pela morte do lutador de MMA Luiz de França, na Zona Sul de
Natal, e também é listado nos registros da CODIMM como suspeito da morte
de Izânia.
Além de Débora e Izânia, outras 12 mulheres foram
assassinadas no RN desde o dia 1º de janeiro, das mais diversas
características, que vão desde bala perdida, até latrocínio, passando
por espancamento e crime com características de execução por dívidas com
o tráfico de drogas. Natal lidera o ranking, com seis mortes. É seguida
por Macaíba, com três homicídios registrados.
Fonte:
Paulo NascimentoDO NOVO JORNAL